Aldeamentos jesuítas na capitania do Espírito Santo: ocupação colonial e ressignificação da etnicidade indígena entre os séculos XVI e XVIII (Artigo)

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Aldeamentos jesuítas na capitania do Espírito Santo: ocupação colonial e ressignificação da etnicidade indígena entre os séculos XVI e XVIII (Artigo)

 
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Resumo

Analisaremos neste artigo a influência da ação jesuíta no que se refere ao esquadrinhamento do território espírito-santense, aspectos em que os aldeamentos jesuítas contribuíram ou serviram de obstáculo para as autoridades coloniais e, especialmente, como a nova dinâmica vivenciada pelos indígenas nos aldeamentos desencadeou uma série de rearranjos dos mais variados e a ressignificação de sua identidade étnica a partir das novas alianças firmadas.
 

Em 1549, os jesuítas, padres da Companhia de Jesus, desembarcaram na América Portuguesa. Eles chegaram com o primeiro Governador-geral, Tomé de Souza, ocupando papel importante na obra de redução indígena e, dois anos mais tarde, alcançaram o Espírito Santo.

Com métodos muitas vezes brandos, os padres converteram um grande número de indígenas ao cristianismo, embrenharam-se pelos sertões – então só assinalados de forma imprecisa pela cartografia – com o intuito de conduzir os indígenas entendidos como hostis aos aldeamentos e, assim, propagaram a fé cristã. Com isso, no caso do Espírito Santo, (como em outras partes da América Portuguesa) asseguraram para a Coroa Portuguesa – mesmo que, em alguns casos, de forma momentânea – possessões territoriais que iam se distanciando timidamente do litoral. Não obstante, a suposta sujeição, ou melhor, estratégia de vivência/sobrevivência, dos indígenas ao cristianismo resultou em um grande dano à sua autonomia e na acelerada transformação da sua cultura. Por sua vez, isto não deve ser entendido de forma reducionista, como um mero processo de “aculturação” ou perda da “identidade indígena”, como ainda se lê em diversos textos. Antes, como ressignificação da identidade indígena dentro de uma grande gama de rearranjos que se deram a atender os mais variados interesses. Por outro lado, a ideia imediatamente oposta à “perda” ou à “resistência” indígena, também não nos parece muito frutífera, pois deixa ao largo a capacidade de reconstrução identitária, social e cultural do índio. Novas abordagens, como o estudo das complexas redes de sociabilidades existentes no universo colonial, que permitiram uma imensa gama de rearranjos identitários, e a valorização da historicidade dos índios, possibilitam um novo aspecto da história indígena, não mais limitado à ótica do conquistador. Não podemos resumir a História Indígena ao extermínio e “perda identitária” e, muito menos, à manutenção da ideia de índio “primitivo”. Devemos reconhecer a capacidade indígena de tomada de decisões e de negociação.

 

Texto Completo

 
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Oliveira, Ricardo Batista de. Aldeamentos jesuítas na capitania do Espírito Santo: ocupação colonial e ressignificação da etnicidade indígena entre os séculos XVI e XVIII. Temporalidades – Revista Discente do Programa de Pós-Graduação em História da UFMG. v. 6, n. 2 (maio/ago. 2014) – Belo Horizonte: Departamento de História, FAFICH/UFMG, 2014.
Disponível em: http://www.fafich.ufmg.br/temporalidades/revista/index.php?prog=mostraartigo.php&idcodigo=332
 
 
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