A Serra das Esmeraldas

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A Serra das Esmeraldas

História da Capitania do Espírito Santo Livro 2

Fabio Paiva Reis
 

Analisar a origem do mito da Serra das Esmeraldas, na Capitania do Espírito Santo, foi o objetivo de Fabio Paiva Reis em sua dissertação de mestrado.

 

Acompanhar o desenvolvimento do mito a partir das cartas e relatos dos cronistas da colônia até sua incorporação na cartografia moderna portuguesa e europeia, e refletir sobre o seu papel nas disputas políticas, administrativas e territoriais da América portuguesa do século XVII. O autor acredita que é possível compreender o processo de valorização e, em seguida, desvalorização do Espírito Santo no período colonial – entre as primeiras notícias das riquezas no interior, na década de 1570, e a criação da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, em 1709. Para compreender esse processo, Fabio Reis analisa também a construção da cartografia seiscentista, a influência que ela recebe dos relatórios das entradas ao sertão, e como ela influenciou entradas subsequentes. Por fim, defende que a crença no mito da Serra das Esmeraldas intensificou a interiorização da colônia, colocou o Espírito Santo entre as regiões mais cobiçadas da América portuguesa e transformou a capitania em protagonista das disputas entre Portugal e Espanha, nas fronteiras coloniais, e entre as próprias capitanias hereditária.


 

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Esmeraldas. Esta é, com certeza, uma das palavras que melhor traduzem o sonho dos portugueses no Brasil nos primeiros séculos da colonização. Durante muitos anos uma diversidade de aventureiros, bandeirantes e sertanistas partiu pelo sertão brasileiro em busca de riquezas incontáveis que os aguardavam em algum lugar desconhecido.Às vezes contra o desejo da Metrópole, outras fazendo a vontade dela, esses homens protagonizaram alguns dos momentos mais marcantes da história brasileira, seja nas descobertas, na ocupação do interior ou na formação do pensamento coletivo, um dos focos do presente trabalho.

No primeiro capítulo discutirei o surgimento da Serra das Esmeraldas entre os primeiros cronistas do Brasil, a importância da entrada e do roteiro de Marcos de Azeredo para o estabelecimento da lenda na região da Capitania do Espírito Santo e também os primeiros passos para o conhecimento do interior da colônia. Ao estudar os elementos relevantes das obras selecionadas, falarei sobre a existência de lugares lendários nesses mapas, dando ênfase, como referido, à Serra das Esmeraldas.O capítulo abrangerá as análises cartográficas dos mapas que solidificam a Serra das Esmeraldas no imaginário colonial português. Apresento, então, análise de mapas da primeira metade do século XVII, principalmente de João Teixeira Albernaz, o Velho: cosmógrafo desde 1602, atuou na corte de Filie II, seu patrono, e produziu uma série de cartas representando o Espírito Santo durante sua vida. Esses mapas são influenciados pelos relatos dos cronistas e são feitos a partir do relato de Marcos de Azeredo. Posteriormente, também influenciarão as entradas da segunda metade dos Seiscentos.

O segundo capítulo discutirá o reconhecimento e ocupação do interior do Brasil no século XVII, a partir dos documentos coloniais, principalmente a partir da movimentação jesuítica no sertão da América portuguesa. Em busca tanto de índios para suas missões como de riquezas para Deus e para o Rei, a Companhia de Jesus será a principal responsável pelas entradas em meados dos Seiscentos. Foi apenas na segunda metade do século que os moradores do Espírito Santo retornaram às entradas, pois até então preocuparam-se com as crises políticas e econômicas, e a colônia preocupava-se principalmente com a ocupação holandesa nas capitanias do norte.Também mostrarei a importância dos holandeses para o conhecimento efetivo do interior do Brasil, seus planos para adquirir as riquezas americanas e uma participação em expedições ao interior e como isso influenciou sua cartografia produzida no período. Nesse mesmo período, discutirei também o fim da conjuntura filipina (a União Ibérica dura entre 1580 e 1640) e as mudanças em relação aos incentivos ao envio de relatos e dados da América para a Coroa e também a diminuição na produção cartográfica.

No terceiro e último capítulo, farei uma discussão sobre o papel político e econômico da Capitania do Espírito Santo e de suas elites coloniais no período moderno, como parte do império português e divisão administrativa na América portuguesa. E enfoca as disputas políticas sobre as entradas para a Serra das Esmeraldas durante todo o século XVII nos estudos sobre as estruturas políticas portuguesas na modernidade. O objetivo, neste caso, é fazer conexões entre os elementos apresentados nos documentos do período.Tanto essas disputas como os conflitos coloniais pela região da Capitania do Espírito Santo, que também serão estudados aqui, influenciarão a formação do território da capitania, que se modificará durante todo o período colonial. Essa formação territorial é bastante visível na cartografia aqui estudada e nos ajudará a compreender a perda de espaço para as capitanias vizinhas.

Espero assim conseguir fazer uma análise da Capitania do Espírito Santo entre fins do século XVI e início do XVIII, da sua participação no movimento sertanista colonial, o desventamento do seu interior e a formação do seu território, que está diretamente relacionada às buscas e descobertas de metais e pedras preciosas na América portuguesa.