Memoria Statistica da Provincia do Espirito Santo escrita no anno de 1828, de Ignacio Accioli Vasconcellos (1828)

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Memoria Statistica da Provincia do Espirito Santo escrita no anno de 1828, de Ignacio Accioli Vasconcellos (1828)

 
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Inácio Accioli de Vasconcelos foi um político brasileiro. Foi presidente da província do Espírito Santo, nomeado por carta imperial de 25 de novembro de 1823, de 23 de fevereiro de 1824 a 21 de outubro de 1829. Foi também membro da Assembléia Nacional Constituinte de 1823 eleito pela Província de Alagoas.

Proclamada a independência, Vitória, pela Lei de 17 de março de 1823, é elevada à categoria de cidade. Nenhuma festa comemorou o evento. Vitória vivia dias de agitação política. Todas as atenções estavam voltadas para os acontecimentos, que sacudiam a nova nacionalidade. O povo pobre e ignorante não opinava. A elite, pequena e dividida, orientava-se pelos líderes em expectativa. O novo predicamento do Município não trouxe fato novo à economia pública. Talvez autoridades mais convencidas de suas prerrogativas fiscais. Uma estatística, cinco anos depois, acusa, para a Cidade, 889 casas de telha, com elevado número de sobrados. A dízima, imposto predial, rendia 1:140$640. Com a nova divisão territorial do Brasil, as Capitanias passaram a Províncias, governadas por presidente de nomeação. Ampliam-se, porém, as liberdades com os Conselhos provinciais. O primeiro presidente provincial foi o bacharel Inácio Acióli de Vasconcelos. Governou de 24 de fevereiro de 1824 a 23 de novembro de 1829.

Seu longo período administrativo foi uma exceção. Seus sucessores pouco ou nada se demoravam no cargo.

Acióli Vasconcellos tinha cultura e demonstrou certa intuição administrativa. Minucioso na análise das necessidades da Província registrou dados bastante interessantes. A receita, estimada em 46:231$852, tinha, como contrapartida, despesas da 46:312$647, com a tropa, e 12:862$933, com os civis e eclesiásticos. A situação econômica não era mais alentadora.

A lavoura já não produzia farinha suficiente. As escolas estavam em “relaxação e abandono”. Os mestres em atraso de pagamento, ganhando tão pouco que os bons não queriam ensinar. O Hospital Militar era “mais um calabouço do que o restaurador da saúde”. As cadeias pareciam “sepulturas dos que nelas entraram”. As estradas cobertas de mato e as pontes caídas. O rebanho bovino era de cem cabeças. O comércio de Vitória compunha-se de trinta e cinco “lojas de fazendas secas e quarenta e cinco de molhados e tavernas”. Um boi valia 30$000, uma galinha $480, a cachaça era monopólio do “contratador”, que obtinha a exclusividade de compra e venda do produto, arrematando o imposto em hasta pública, por período determinado. Não se fixava o preço de venda. “Rameiro” era o apelido do revendedor da “pinga”. A produção de 200 pipas não era suficiente. Importava-se bagaceiras e bebiam-se 150 pipas de vinho a um conto e quinhentos a unidade ou três cruzeiros, moeda de hoje, o litro. O vinho encarecera, em relação ao ano de 1780, de cem por cento. As ruas, sempre esburacadas e mal iluminadas. Muitos lampiões eram custeados pelos moradores. A montaria era o cavalo. O transporte terrestre se fazia em carros de bois, bem cantantes. Espantava o efetivo militar de 1849 praças. Uma barbaridade em relação à população da Província. Medo do que se restabelecesse o regime colonial.

 

Fonte: Biografia de uma Ilha, ano – 1965
Autor: Luiz Serafim Derenzi
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2014

 

Texto Completo

 
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VASCONCELLOS, Ignacio Accioli. Memoria Statistica da Provincia do Espirito Santo escrita no anno de 1828 . Vitória: Arquivo Público Estadual, 1978.
Informações adaptadas do site Morro do Moreno.
 
 
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