08/09/1656: Carta para Sua Magestade sobre o navio do Rio da Prata que veiu á Capitania do Espirito Santo
28/10/2016
22/08/1659: Carta para Sua Magestade acerca do Governador, e Capitão geral Salvador Corrêa de Sá e Benavides, e cumprimento que se deu á ordem, e patente que trouxe para o Governo das Capitanias do Sul
28/10/2016
 
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Foi a 1.ª, 2.ª e 3.ª via com os mesmos.

Por carta de 26 de Março do anno passado se serviu Vossa Magestade mandar escrever ao Conde de Attouguia, meu antecessor, informasse a Vossa Magestade com particularidade das terras do Rio da Parahiba do Sul, e campos dos Guaitacases, e de tudo desse conta a Vossa Magestade com seu parecer, para se deferir a pretenção dos moradores, que alli intentavam fazer Villa, e a de Salvador Corrêa de Sá, que os pedia a Vossa Magestade para os ter por Capitania, na forma costumada. Em 22 de Fevereiro escrevi a Vossa Magestade (por chegar aquella carta a este Governo a tempo, que me ficou a cargo a execução della) havia matudado buscar esta noticia á mesma Povoação, e ás Capitanias do Espirito Santo, e Rio de Janeiro. De nenhuma me chegaram em forma; mas as que pude alcançar mais verdadeiras são, que entre uma data de Martim Affonso, que fica para o Norte do Rio de Janeiro (com quem o districto daquella Cidade, que não é mais que doze léguas confina) e outra de Vasco Fernandes Coutinho que está situada a Capitania do Espirito Santo, jazem aquellas terras, e campos (que segundo as tradições que ainda ha) foram de um Gil de Goes da Silveira e nellas houvera já Povoação, a qual se extinguira pela vizinhança dos mesmos Guaitacases [Goitacazes], Gentio Barbaro, que hoje está já tratavel. Distam pelo caminho do Sertão do Rio de Janeiro, pouco mais de cem leguas. As do Cabo Frio (donde tambem houve uma Cidade, que ou pelo clima, ou por outros acddentes, se não conservou) são hoje da Coroa. E destas dos Guaitacases foram dando varias sesmarias Martim de Sá, Governador do Rio de Janeiro, e Diogo Luis de Oliveira, sendo-o deste Estado. Naquelles campos ha varios curraes dos Religiosos da Companhia e outros muitos moradores do Rio de Janeiro; mas a maior parte de Salvador Corrêa de Sá, e Frades Bentos.

A povoação é capaz de ser Villa: e o. porto só de patachos, e esses tão pequenos, que hão mister aguas vivas para entrar. Alli foi Ouvidor geral daquella repartição João Velho de Azevedo, e pelos respeitos, que lhe pareceu, fez eleição de Officiaes da Camara, levantou pelourinho, e nomeou a Povoação Villa. Pouco depois mandou, que se não chamasse mais Villa, nem houvesse Officiaes, da Camara. Esta foi a origem de aquelles moradores pedirem a este Govemo em tempo do Conde de Attouguia a confirmasse Villa, de que elle deu conta a Vossa Magestade. Hoje não é aquella Povoação de rendimento algum á Fazenda de Vossa Magestade. Os do Rio de Janeiro não approvam fazer-se Villa, fundando-se em que (se a houver) lhe poderão os feitores dos curraes multiplicar os fructos; e a mim me parece, que por esta mesma razão lhes convem, que seja Villa; porque havendo-a terá Officiaes de justiça, cuja obrigação é itar os roubos, mortes, e mais delictos, que alli se experimentam pela malignidade dos homens, que por aquelles curraes vão parar. E aquelles mesmos que hoje por falta de justiça vivem desordenados, vendem o que furtam aos barcos, que alli vão contractar, viverão com mais temor, e não poderão furtar nem vender com a liberdade, que agora têm, antes dos proprios facinorosos e foragidos, que de outras partes foram a ella –[1] abrigo, se poderá augmentar a Villa, e o Estado, que tão falto está das com que pode engrandecer-se. Em consideração de tudo o referido, e de ser tão grande conveniencia do serviço de Vossa Magestade povoar-se a costa deste Estado, sou de parecer, que Vossa Magestade seja servido conceder aos moradores da parahiba a mercê que pedem de ser aqueila Povoação Villa. A real pessoa de Vossa Magestade guarde Nosso Senhor como seus Vassallos havemos mister. Bahia e Setembro 24 de 1658. Francisco Barreto.

Bernardo Vieira Ravasco.

 
 
BIBLIOTECA NACIONAL. Documentos Históricos: 1648-1672 - Correspondência dos Governadores Gerais - Conde de Castello Melhor, Conde de Athouguia, Francisco Barretto (Vol. IV). Rio de Janeiro: Augusto Porto & C., 1928. pp.346-347.
Acervo Biblioteca Nacional
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