[Mapa da costa do Brasil entre o Cabo de S. Tomé e o Morro de João Moreno] (1642)
17/10/2017
[Litoral do brasil entre o Morro de João Moreno e a Ponta do rio Doce] (1642)
17/10/2017
 

Ficão sendo mui limitados todos os parabéns que a Vossa Excelencia se oferecerão em razão das mercês que goza pois as maiores são breves pera as que Vossa Excelencia merece; devem se lhe porem tributar aplausos, render graças por se permitir a ser restaurador deste miserável estado que com a pessoa de Vossa Excelencia se ufana e promete ver livre da opresão que padece para que com tão felice sucesso deva a Vossa Excelencia a liberdade que tem oprimida, de cujas esperanças nesta confiança dou a Vossa Excelencia os parabens, como da viagem e chegada a essa cidade que, se bem a sido com tanto enfado e perda de gente, permitira o ceo que com o efeito que se espera se minore a pena de tanta morte dilatando se a Vossa Excelencia a vida eternidades sem limite.

Em conformidade do que Vossa Exceiencia me ordena em carta de 3 de Fevereiro, mandei logo no mesmo dia que a recebi publicar a provizão de Vossa Ecelencia e juntamente lançar bando que a todas as pessoas que se quizessem alistar pera ir a este socorto lhe daria tres pagas adiantadas, duas por conta da fazenda de Sua Magestade e huma por a da minha, e mandei se fixassem na praça desta cidade e se rezistasse a provizão na camara, como tudo consta das certidões. E suposto que a fazenda de Suâ Magestade he aqui tão limitada e os gastos precisos della tantos, como tudo veia Vossa Excelencia pellas certidões que invio, e que se não fora o subsidio sobre os vinhos, que se me permitio pella suavidade com que o impus, não se consentindo nunca a nenhum de muitos comissarios que o intentarão, fora imposivel sustentar se o prezidio tão necessario como a ocazião manifesta, comtudo, tendo por certo que he muito grande o serviço que faço a Sua Magestade e igual o alivio pera Vossa Excelencia, me obrigo a esta [1] duas pagas de sua real fazenda e huma da minha porque quando a do dito senhor como he certo me falte dispois pera este prezidio esta a minha tão naturalizada a suprir estas faltas como Sua / Magestade satisfeito da muita que meu pai, o governador Martin de Saa, que Deus tem, gastou em seu serviço que lhe ha mandado pagar e eu a sua imitação quizera ter muito pera gastar nelle a que dezejo.

Despachei logo as capitanias de baixo â provizão e ordem que Vossa Excelencia mandara ver a Dom Francisco Rondon de Quebedo, pessoa de quem tenho satisfação, pera que nas ditas capitanias levantasse a gente que pudesse, dando lhe da mesma maneira duas paguas da fazenda de Sua Magdstade e hma daminha, e que com ella se viesse logo a esta cidade juntar com a que fico fazendo pera que seja Vossa Excelencia socorrido com toda a que puder ser. E pera efecto de ver a que de prezente tenho nesta cidade e seus recôncavos, fiz alarde geral em 20 deste, e fazendo lista de 22 capitães assi da ordenança como dos fortes e cavaleiros de que tenho guarnecida a cidade e portas della alistei entre todos quatrocentos e vinte e outo pessoas com mais trezentos e setenta e sinquo homens do mar e trinta homens de a cavallo, e assi mais em trinta e sete canoas de guerra que tenho prevenidas pera as ocaziões que se podem oferecer, e são de muito efeito nesta cidade duzentas e sinquenta e nove pessoas e nas sete companhias de prezidio e das fortalezas quinhentos e sinquenta soldados porque se hão diminuir morrendo: E suposto que para o que se me pode oferecer he muito pouca gente, comtudo fico fazendo toda a diligencia pera que se junte da da [sic] cidade a que puder ser pera que a que espero das capitanias de baixo a remeta a Vossa Excelencia parecendo me mais acertado socorrer a nescessidade prezente que a que se espera; e não invio logo esta a Vossa Excelencia por evitar nessa cidade os gastos que com a dilação que nela terão podem fazer; ficando pera ir logo que Vossa Excelencia me mandar aviso que he tempo e entonces a despacharei em embarcações ligeiras donde fica sendo mais fácil e breve a viagem que por terra ao rio de São Francisco que tem muitas dificuldades, e so sinto não me ser possível ir em pessoa a servir em semelhante / ocasião a Sua Magestade e aprender na disciplina de Vossa Excelencia.

Nesta praça tem Sua Magestade sete companhias de infanteria com hum sargento maior e duas nas duas fortalezas da barra para cujo sustento tem aplicados os dízimos e rendimentos de sua fazenda; porem sendo tão limitada esta e tão excessivos aquelles dispus loguo que vim a prevenção do remédio impondo sobre os vinhos hum subsidio por hum anno, e acabado elle fiz se aprovasse por outro, com tanta suavidade que geralmente foi aprovado e recebido pella câmara e povo desta cidade; e pera efecto de se cobrar e despender de maneira que ella e elle se satisfaça elegerão a mesma camara e povo a hum Miguel Cardozo pera que cobrasse o rendimento dos vinhos porque cada vez que lhe parecesse lhe resenseassem contas e de sua mão se carregua sobre o almoxarife, e sendo cazo que venhão muitos vinhos crece o rendimento e em falta delles a rem elle. E como na satisfação dos soldados consiste o servirem com mais gosto, menos incomodidades e ocaziões de maos procedimentos, todos os mezes passo mostra, fazendo lista donde aos que morrerão ou acazo fugirão se lhes da baixa e poem verba e aos efectivos se paguão quatro patacas de socorro em dinheiro; e isto hey feito desde o dia que cheguei a esta praça todos os mezes, asistindo commigo a mostra e listas o provedor da fazenda, o almoxarife, o procurador da coroa e o escrivão da fazenda, e muitos mezes por não aver dinheiro cobrado e os soldados não ficarem sem socorro supro eu ja com minha fazenda ou ja com empenhos pois toda a que posuo esta dedicada ao serviço de Sua Magestade, e tudo o que se pagua, praças efectivas e rendimentos, consta das certidões que a Vossa Excelência invio, fazendo se isto todos os mezes com tanta clareza na praça publica e com tanta satisfação de todos, como he publico, se bem com muito trabalho e muitos mezes com muito enfado sobre a falta de dinheiro não permitindo se vença nenhuma praça que não seja ser» vida nem ainda a pessoas que puderão ja estar jubilados por idade e serviços, tendo tanta consideração neste particular e tanto zello na fazenda de Sua Magestade que fazendo capitão, alferes e sargento do forte Margarita que fabriquei na ylha das Cobras padrasto desta cidade com aver reformado a hum alferes de prezidio pera capitão e a hum sargento para alferez / e a outro pera sargento por ser mui nescessaria a guarnição no dito forte em que consiste a prinsipal defensa desta cidade, lhe mandey por verba nos ordenados emquanto Sua Magestade não fosse servido de Ihos mandar aclarar, e vendo se elles estar servindo sem sustento e que pellas ventagens que lhe dera lhe tirara o soldo, se ocorrera [sic] a camara desta cidade que, vendo ser o forte de tanto efecto e sua petição tão justa, lhe sinalou soldos emquanto Sua Magestade o não fazia, librando lhos sobre o subsidio dos vinhos antes que se aplique a fazenda de Sua Magestade na carga do almoxarife mas despendido por elles como senhores que são emquanto se não faz a dita carga, de maneira que se não pode dizer que são praças acresentadas a real fazenda, pois pera o que toca a ella lhe mandei por verba e a cidade as pagua do seu subsidio. De tudo invio a Vossa Excelência certidões e assim do fornecimento que tenho nas fortalezas, prevenindo a dispozição de tudo mui como me he possível, dezejando acertar no serviço de Sua Magestade tão desinteressado que o anteponho a todos os particulares e respeitos que he o que estranhão algus moradores destas capitanias como mal custumados a acudir mais que a suas fazendas tendo por novidade oprimi los pera que acudão ao que convem do real serviço que he so meu maior desvelo.

Antes de receber a de Vossa Excelência tinha despachado este barco do mestre Salvador Thome Mialhadas com o socorro de bastimentos que leva e o fiz deter por avizar a Vossa Excelência da cantidade da gente que achasse na resenha do alarde geral, que he a que digo. Pellos conhecimentos consta a carga que leva por conta da fazenda de Sua Magestade e tenho dado ordem ao provedor della da capitania de São Visente remeta a Vossa Excelência em bastimentos 400V reis que alli estão caidos do arrendamento do anno passado ate este, e com os mais que pessoas particulares navegão sera Vossa Excelência mui bem provido, o que assi ordenei por virtude’de hua-provizão que Sua Magestade foi servido mandar me em que me ordena socorra com bastimentos a essa cidade e armada pera cujo efecto me valesse de todos os de sua fazenda destas capitanias, como hey feito, nos que tenho remetido se bem suprindo com a minha a falta dos pagamentos della.

[2]Invio a Vossa Excelência o treslado da provizão que Sua Magestade me fez merce de meu cargo pera que Vossa Excelência se sirva de a mandar ver e conforme a ella fazer me as que de mão de Vossa Excelência espero, servindo se de querer honrrar me com huma sua pera que eu uze poderes de Vossa Excelência nestas capitanias assi porque o serviço de Sua Magestade se execute com mais fervor como pera que Vossa Excelência nellas tenha / a gente que lhe minore o trabalho que as impertinências dellas conduze e por que de mais perto tenhão os remedios e castigos que seus procederes mereção, no que Vossa Excelência augmentara meus empenhos com certeza de que saberei acudir a elles e procurarei merecer roda a que Vossa Excelência me fizer em seu serviço.

Leva o mestre Salvador Thome Mialhadas hum caixão com cem caixetas de marmelada e Lucas de Medrano, que fica pera partir, outras cento, premidas que lhe tributão a Vossa Excelência os frutos desta terra; perdoe Vossa Excelência o breve do regalo que são mostras de meu dezejo e admita o dilatado deste que não tem limite para o que Vossa Excelência ordene.

De tudo o que se oferecer darey particular conta a Vossa Excelência por todas as vias, e a gente que puder remeterey logo que tenha avizo e assi dos yndios que determino juntar das aldeas, deze- jando acertar no serviço de Sua Magestade e empreguar mc no de Vossa Excelência, cuja pessoa guarde Deos com os augmentos e felizes sucessos que seus servidores dezejamos etc.

Rio de Janeiro, 24 de Março de 1639.

[3]A gente que podera ir destas capitanias não avizo por certo a Vossa Excelência, porque como depende da que ha de vir da capitania de baixo pera onde quis eu ir levanta la, mas a falta de jurisdição me reteve e o ser gente indomita que pegão por qualquer estribilho pera não obedecer, que em isto fundo o suplicar a Vossa Excelência me honrre com seus poderes trato pera o tocante a estas capitanias do Sul pera com isso escusar interpretações que ainda que os governadores passados que forão deste estado por diferentes provizões e regimentos os tem concedidos a meus antecessores e conformando me com minha provizão pudera usar delles, mas como meu maior dezejo he acudir ao serviço real escuzando alterações ey ido em este particular conformando me com a terra, de que afirmo a Vossa Excelência não tem resultado bons fins poiss ha alguas alterações e menos obediências do que he bem em tempos tão apertados; Vossa Excelência disporá como for servido e vir que mais convem ao serviço de Sua Magestade e ao cumprimento das ordens que me der que em mi sempre he huma vontade pompta com a obediência.

[4]Desta cidade tenho pera mi poderão ir ate duzentos-e sinqueuta homens e yndíos, tudo o que puder ser de mais ey de solicitar e procurar o que me parecia em a jornada que avião de fazer era que partissem daqui pello fim do Inverno e que fossem / em embarcações que pudessem, tomando falla nessa cidade, passar ao rio de São Francisco ou onde Vossa Excelencia ordenar, pera que assin se evitassem os gastos e o poder se nessa cidade espalhar. Despacho por mar e por terra este avizo a Vossa Excelencia ficando desejoso de muitas ocaziões de empreguar me no serviço de Vossa- Excelencia. Os saguis irão com Lucas de Medrano que fica pera partir.

He copia da que a Vossa Excelencia escrevi no barco de Salvador Thome Milhadas que partio em 26 do passado; dispois do que recebi duas de Vossa Excelencia de 3 de Março e sintindo como devo que os ares de Cabo Verde penetrem ainda nessa cidade me peza de que não goze Vossa Excelencia a saude que lhe desejo, estando nella tão interessado todo este estado que espera ver se restaurado da opressão que padece tantos anos ha; NossoSenhor lha de a Vossa Excelencia como todos devemos tocar lhe.

Sobre o que Vossa Excelencia me ordena etnrezão-da leva da gente, fico em muito cuidado, solicitando a como tenho avizado, e de novo inviei ordem as capitanias de baixo: pera que nenhuma pessoa fizesse viagem ao sertão emquanto durar a guerra neste estado como do mandado que a Vossa Excelencia.invio parece, porque com este freo pretendo ver-se lhe posso evitar o deserviço de Sua Magestade que cometem nestas viagens e uni los assi pera que vão .a servir nesta ocazião como pera que se prevenhão de mantimentos e assistência péra socorrer a Vossa Excelencia e o que pode suceder nestas- capitanias com a expulsão do enemigo de Pernambuco pois he certo que[5] novesentos homens, que oje me afirmão andão no sertão, fizerão maior serviço a Sua Magestade em penetrar esses matos que em profanar as aldeas adonde vão buscar gente e ocazionar alterações cujas exorbitancias eu não remedeo porque me não quero arriscar a suas interpretações em poderes, a cujo respeito faço a suplica asima pera que honrrando me com os de Vossa Excelência seja Sua Magestade bem servido e se evitem muitos desaforos que de semelhantes excessos se originão.

[6]Tenho também mandado que de São Visente [São Vicente] se carreguem logo / 400V reis, que alli ha caidos da fazenda de Sua Magestade, pera essa cidade em bastimentos e ao capitão mor e camaras não consintão se divirtão nenhuns pera outra parte sendo muita a cantidade de farinhas que me certeficão ha oje naquella capitania e que todas se hão de navegar pera essa cidade com o que sera bem provida; estando Vossa Excelencia certo que as que tenho remetido, assi vindas de Santos como conpradas aqui, hão sido por menos preço do que se venderão a particulares porque nisso tenho eu tanto cuidado que o solicito por mi mesmo, e na ocazião em que forão era fim dellas e valião caras se bem não tanto como entendem os oficiaes da fazenda dessa cidade certeficando se que andão os desta mui ajustados no particular della, e que neste he meu maior cuidado que Sua Magestade seja bem servido.

No particular dos papéis que a Vossa Excelencia remeti sobre o provedor da fazenda Domingos Correa, me parece procedi mui acertado em dar conta igualmente a Vossa Excelencia com elles e a Sua Magestade, porque assi mo ordena em meu regimento o dito senhor para que seja informado dos procederes de seus ministros e a Vossa Excelencia para que remedee os desconformes como superior de mais perto, valendo me de lhe solicitar de Vossa Excelencia a reprensão merecida por elles, assi por tão senhor meu como por a quem toca o não permitir desaforos no serviço de Sua Magestade, nem quasi descortezias com absoluta superioridade ao cargo de governador e de dito senhor por acudir a obrigação do de que me fez merce com lhe dar rellação do como se procede na praça, de cujo governo me dignou, sendo meu intento mais porque a jurisdição dos governadores se não defraude pera que os que me sucederem me não culpem de disimular exorbitansias cujo exemplo outros .provedores quererão imitar, que por meus particulares; pois se deixa bem ver que não ouve em mi outro motivo nesses papéis mais que atalhar desserviços de Sua Magestade, sem mais paixão que este zelo, pois para proceder com ella e solicitar do dito senhor e de Vossa Excelencia castigos indubitaveis pudera autoar entre essas culpas outras que sendo a Vossa Excelencia prezentes como me não incumbiam por averem passado nesse e não neste governo permiti se silenciassem; e suposto que do Conselho da Fazenda se me mandou por huma carta o soltasse da primeira prizão que ocasionou sua descompostura em minha prezença e casa, vinha a ordem tão desconforme da verdade do caso que na reposta / della o pudera reter preso ate nova informação e ser Sua Magestade certo das calumnias da sua, mas como so me moveo o zelo com que procedo ainda que era prizão do segundo auto de excessos que no Conselho todavia não avião visto quando se me inviou a ordem, me permiti obedecer tanto a esta quanto a mostrar a pouca paixão que me estimulava, deixando me obriguar de favores de religiosos e de meu tio, o capitão Duarte Corrêa Vasqu Eanes, de quemse valeo confessando a rezão que eu tinha, levantando lhe – a menagem de sua prizão e tornando o a admitir a seu cargo emquanto Sua Magestade ou Vossa Excelencia não ordenassem o que fosse mais serviço do dito senhor; e neste estado me achei tão indeciso-com estas duas cartas de Vossa Excelencia, vendo em huma a advertência que me faz e em outra a ordem que me comete, e sem se diferir áos autos prover se o cargo e mandar se me o faça ir a essa cidade, que neutral, dezejando acertar, me vi entre immensidades de duvidas, mas facilitando todas com obedecer a ordem de Vossa Excelencia, valendo me della e da clauzula com que o tornei a admitir, que do outro de soltura que invio consta, o mandei noteficar que seguisse a de Vossa Excelencia e se embarcasse pera essa cidade; respondeo por escrito não se achava capaz de o poder fazer e que a Vossa Excelencia daria as causas, com cuja reposta mais indeterminado parecendo me não cumprir o intento da ordem de Vossa Excelência senão na execução della e esta atalhar se com seus requerimentos a consultei com o ouvidoi geral e letrados que definissem em meus acertos o poder que Vossa Excelencia nela me consedia, de cuja junta em segredo rezultou o auto que a Vossa Excelencia invio com os mais papéis que neste paiticular se processarão, dupliquei lhe noteficações que se embarcasse, obedecendo ao que Vossa Excelencia ordenava e aos oficiaes da fazenda tivessem a Antonio Camelo por provedor della; aquelle respondeo que obedeceria como eu faço e este fica servindo, tendo satisfação que o fara como os que Vossa Excelencia delle tem, e a dilação da consulta foi mais dezejos de satisfazerr a interpretações apaixonadas e a neutralidade em que me achei com as duas cartas, que de divertir a execução do que Vossa Excelencia me ordenava, pois nesta não podia nunca duvidar senão a ordem de Vossa Excelencia inviolável e que com ella me livro de toda a censura, pois he certo que Vossa Excelencia ha de acudir a que eu possa ter se na decisão desses outros não mereser tanta pena, agravou de mi, fez papéis, que todos invio a Vossa Excelencia.

Com a mesma diligencia fiz se avisasse ao ouvidor geral, o licenciado Simão Alvarez de la Peña, que suposto que a provirão do ouvidor geral que foi, Diogo de Saa da Rocha, tinha muitas interpretações pera se dilatar a posse ao dito licencidado. eu as não permiti asi por ser tido por parente dos meus como porque as provisões de Vossa Excelencia não consinto nenhua mais que em sua obediência faze las executar.

[7]A provizão que trazia Antonio Camelo pera a capitania que esta servindo Francisco da Costa d Alvergaria não teve efecto potque o teve o entrar na provedoria e não poderr servir os dous cargos. O capitão Francisco da Costa serve com muita satisfação e he casado com huma filha de hum parente meu Don Mendo de la Cueva y Benavides, governador do Rio da Prata, e lhe dezejo augmentos que merece; faça Vossa Excelencia o que for mais serviço de Sua Magestade.

O capitão Pedro de Albuquerque, que o he de huma companhia de ynfanteria desta praça, me pedio licença pera ir ao reino que lhe concedi por me reprezentar justas causas pera isso; Diogo Lobo Telles, que serve de capitão da ordenança, tem huma provisão de Sua Magestade para que eu lhe de a primeira companhia que vagar, determino faze lo a esta; e de tudo dou a Vossa Excelencia tão estreita conta porque entenda quanto.me ajusto ao que Vossa Excelencia for servido para que Sua Magestade o seja.

Lucas de Medrano entreguara a ordem de Vossa Excelencia hum caixão com cem caixetas de marmelada e tres capueiras com seis dúzias de galinhas; perdoe Vossa Excelencia o atrevido da confianã que he de servidor de Vossa Excelencia.

[8]Quanto mais se detem este navio; mais se oferecem ocaziões de dilatar a Vossa Excelencia enfados alargando esta com os que vem em cada barco desta costa. Chegou hum do Spirito Sancto em que me aviza o capitão-mor que Vossa Excelencia avia inviado por provedor da fazenda a Duarte Carvalho com ordem de que não mandasse aqui nenhum dinheiro da fazenda de Sua Magestade, e suposto que dos caidos do anno passado me estavão consignadas trezentas arrobas de asucar, que ficou devendo o contratador pera pagamento dos empenhos que fiz em nove embarcações de bastimentos que tenha inviado de socorro a essa cidade, acudindo com minha fazenda ao suprimento da que faltava; sendo tanta a que importão e tão breve a que avia e Sua Magestade me ordenar por carta sua me valesse de todos os efectos de sua fazenda destas capitanias pera este socorro e estar empenhado em muita com credito e palavra,/ mandando Vossa Excelencia dispor de tudo como he mais servido não ha que replicar nem eu o fizera se Vossa Excelencia o fora de me enviar a licença que peço porque Sua Magestade o ficara milhor, pos he forsa me ache indeterminado com ordens sua e de Vossa Excelencia encontradas em mandar com que fica incerto o acerto de obedecer, que he o que mais dezejo, e servir a Vossa Excelencia, de quem espero toda a mercê que peço por gozar de mais perto as de Vossa Excelencia e solicitar merecer maiores.

Guarde Deos a Vossa Excelencia como seus servidores dezejamos etc.

Rio de Janeiro, 20 de Abril de 1639.

Domingos Corrêa deve de avizar a Vossa Excelencia a causa porque vai neste navio que por me parecer justa aprovei por tratar de dispor suas cousas, ira no primeiro que partir se não me parecer conveniente que leve a seu cargo a gente que fico levantando pera mandar a Vossa Excelencia no tempo que avizo.

  1. a) Salvador Corrêa de Saa y Benavides

Do Governador do Rio de Janeiro. /

Rio de Janeiro. De Salvador Corrêa de 20 de Abril de [sic]. Registada. /

 

Notas

[1] À margem esquerda: “Senhor Dom Fernando Cascarenhaz, conde da Tore, governador e capitão general de mar e terra”.

[2] À margem esquerda: “envia a sua provisão”.

[3] À margem esquerda: “oyo”

[4] À margem esquerda: “oyo”.

[5] À margem esquerda: “oyo”.

[6] À margem esquerda: “oyo”.

[7] À margem esquerda: “oyo”.

[8] À margem esquerda: “não há tal”.

 
 

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