O difícil ofício do historiador

Se você já precisou fazer um trabalho sobre a história do Espírito Santo, sabe que não é uma tarefa fácil. Não importa se é um trabalho de escola, um artigo, uma pesquisa ou uma monografia, dissertação ou tese, você terá dificuldades em encontrar suas fontes.

Isso acontece porque, infelizmente, a documentação relacionada à história do Espírito Santo está espalhada não só pelo estado, mas pelo mundo. Apesar do grande serviço prestado por centros de documentação como a Biblioteca Estadual, o Arquivo Público entre outros, não há o necessário incentivo à digitalização e disponibilização desses documentos através da internet. Com isso, um pesquisador é obrigado não só a visitar diversas instituições de pesquisa, como também vencer as barreiras existentes em cada uma para obter acesso a documentos mais antigos e complicados de manusear – fator que muitas vezes impedem que esses arquivos sejam sequer postos à disposição de quem os procura.

Em uma conversa conosco, a historiadora portuguesa Maria José dos Santos Cunha destacou essa dificuldade em relação às pesquisas sobre a história do Espírito Santo e a dificuldade de transcrever a documentação original do período colonial brasileiro microfilmada pelo Projeto Resgate:

Associado ao historiador e ao pesquisador, em geral, existe um trabalho de seleção, validação e classificação de documentos que fazem com que as fontes devam ser construídas, e não apenas encontradas, e esse trabalho exige tempo, metodologias e estratégias que precisam ser encaradas não apenas para os “novos papéis”, como também para aqueles que se pensa serem já do conhecimento de todos. A dispersão das fontes do ES ou a ele relativas tem dificultado o processo, uma vez que poucos podem dispor de meios materiais para os buscar. Neste sentido, a disponibilização oferecida pelo Projeto Resgate é uma mais-valia, contudo, parece-me, haver um déficit paleográfico no estado, o que provoca sérios constrangimentos de natureza temporal ao avanço da produção científica.

A importância do trabalho de digitalização e divulgação torna-se ainda mais evidente quando nos deparamos com essas dificuldades impostas principalmente ao pesquisador que estuda o Espírito Santo colonial. São poucos os documentos coloniais em arquivos e bibliotecas do estado. Muitos desapareceram em algum momento de nossa história e os poucos que conseguimos encontrar hoje com facilidade são exatamente aqueles que, um dia, foram transcritos e publicados. Isso aconteceu em importantes publicações capixabas, mas em pequena quantidade. O maior desses trabalhos é a série Documentos Históricos, da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro – cujos mais de 100 volumes não existem no Espírito Santo – o pesquisador é obrigado a sair do estado para pesquisar essa documentação.

É por isso que o Spirito Sancto é tão importante: ele surgiu para resolver este problema e fazer todo o trabalho de busca e seleção de documentos, reunindo, em um único lugar, o maior número possível de fontes históricas do Espírito Santo.

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