Descriptionis Ptolemaicae augmentum, de Corneille Wytfliet (1597)

17/03/1651: Carta para o capitão-mor da capitania do Espirito Santo Manuel da Rocha
12/08/2016
Roteiro de todos os sinais, conhecimentos, fundos, baixos, alturas, e derrotas que há na costa do Brasil desde o cabo de Santo Agostinho até ao estreito de Fernão de Magalhães, de Luis Teixeira (ca. 1586)
12/08/2016
 
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Detalhe do Espírito Santo

Para ver detalhe da costa próxima ao atual Espírito Santo, passar o mouse em cima. Há diversos topônimos e símbolos da presença portuguesa na região do Espírito Santo.
 

Secretário do Conselho de Brabant (na Bélgica), Cornelis van Wytfliet faleceu em , deixando como única obra conhecida as Descriptionis Ptolemaicae Augmentum, que assim denominou por ser uma ampliação da Geografia de Ptolomeu cobrindo as Américas, a parte do mundo que Ptolomeu desconhecia (embora não haja qualquer outra ligação entre as duas obras). Considerada o primeiro atlas das Américas, a obra de Cornelis compreende um mapa-múndi e 18 mapas regionais, todos especialmente gravados para essa edição.

Muitos desses mapas são os mais antigos para certas regiões americanas, relatando nos textos de apoio a história das viagens de exploração de Colombo (1492-1502), John Cabot (1497-98), Sebastian Cabot (1526-28), Francisco Pizarro (1527-35), Giovanni de Verazzano (1524), Jacques Cartier (1540-42) e Martin Frobisher (1576-78). O mapa Brasilia, com 23 x 29 cm, apresenta informações em latim, e foi impresso a partir de original entalhado em folha de cobre.

Duas edições dessa obra foram publicadas em Louvain (cidade da Bélgica) em 1597 e 1598, respectivamente por Jean Bogard e Gerard Rivius, e em 1603 foi feita a primeira edição em Douai (França). A última edição conhecida dessa obra data de 1615, em Arnhem (Holanda), por Jan Jansz.

No mapa, entre e o , no litoral, há os seguintes topônimos:

  1. Rio de
  2. Rio de São Georgio
  3. Paruipe
  4. Cricare
  5. Cabo de Baxos
  6. Spirito Sancto
  7. Tocoare
  8. Manangea
  9. Paraiba
  10. São Saluador
  11. Ylhas De Santa Barbara
  12. Baxos de Abreoio
  13. Ylha de Santa Clara

Em sua maior parte, são nomes de rios que desaguam no litoral da do Espírito Santo. O “Rio de Brasil” sem dúvida representa o rio das Caravelas, ao sul; o de “São Georgio” ficou depois conhecido como Peruípe. O “Paruipe” é, na verdade, o Mucuri, tido por muito tempo como a entre o Espírito Santo e Porto Seguro[1]. O Cricaré mantém o nome (com a adição do acento) mas é também chamado de São Mateus, nome da cidade que surgiu em sua margem ainda no período colonial. O “Spirito Sancto” parece representar a sede da capitania, mas no período colonial o nome também era dado ao rio que deságua à beira de (hoje rio Santa Maria).

Wytfliet ignora que havia então apenas duas vilas na capitania: a do Espírito Santo e a de Vitória. As demais possivelmente marcam a presença europeia em diferentes formas, como no caso das missões jesuítas. Das duas vilas, apenas uma aparece no mapa, o que mostra a limitação das informações disponíveis ao cosmógrafo.

Sobre os demais rios do mapa:

  1. Tocoare: refere-se a , que era também o nome do rio que desaguava ao lado da aldeia jesuíta.
  2. Manangea: nome antigo do rio Itabapoana.
  3. Paraiba: hoje o rio do Sul,
  4. Bahia de São Saluador: região de Campos, hoje no .

Próximo aos nomes “Paruipe”, “Cricare”, “Spirito Sancto”, “Tocoare” e “Manangea” foram desenhados os símbolos de vilas. O maior desses símbolos no mapa, com três torres, está demarcando a sede da capitania. Dois símbolos menores, com duas torres cada, aparecem em Tocorae (“Guarapari”) e “Manangea” (Itabapoana).

 
 

Informações

Descriptionis Ptolemaicae augmentum : sive Occidentis notitia brevi commentario illustrata. 1 mapa; impresso. Wytfliet, Corneille, 1597. Pert.: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro.
Texto adaptado de: http://www.novomilenio.inf.br/santos/mapa130g.htm
[1] Paruipe ou Peruípe vem de “iperu + ‘y + -pe: no rio dos tubarões”. Já Mucuri vem de “mukury: mucuris, plantas gutífera”. Navarro, E. d. A. (2013). Dicionário de Tupi Antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo: Global, p. 588 e 592.
BNDigital do Brasil
http://bdlb.bn.br/acervo/handle/123456789/15004
 
 
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