17/12/1548: Regimento de Tomé de Sousa
20/10/2017
12/07/1552: Carta do bispo do Salvador
20/10/2017
 
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Senhor—Eu escrevy a vosa Alteza lloguo como a esta terra chegamos desta sua cidade do Sallvador ho Junho pasado de quorenta e nove e o avizei de quoão mall aviada esta sua armada ficava pera correr a costa onde emtão eu hya per mamdado do governador Tome de Sousa a Ilevar ho ouvidor gerall e provedor mor e a outras cousas e o mesmo fis lloguo do Porto Seguro de Pedro do Campo ho Janeiro que veo de cimquoenta e tão bem o fis de São Vycente de Martym Afomso de Sousa o Julho pasado do mesmo ano, ho que tudo fis muy llarguo por achar muitas novas de framceses e que cada um carregavão muitas veses na costa prímcipallmente na de no onde ja se não ousava de ir com elles, como lia pode ver pellas cartas que escrevi a vosa Alteza e asy ao comde da Castanheira, de que os trellados feitos pelo escrivão darmada ficão em minha mão pera por elles em todo tempo se saber como de mym sempre foy avizado, ho que tudo fiz porque como sey a terra e os que a ella vem andarem tão bem armados e em nãos grandes de duzentos toneis muitas dellas e isto de porque pera qua pera os portos omde carregão seram em sy os milhores da terra e p pouqúo que vejo que esta armada lhe pode fazer da maneyra que amda e eu tenho avizado Vosa Alteza, nam quis que sucedendo lhe allgua cousa contra seu serviço per ella tall amdar ou em lhe nam ailympar esta costa que com elles tão suga amda se me pudese por cullpa em no nam avisar do que pasava, como ate guora tenho llarguamente feito e porque despoes de todo este tempo nunqua mais vy esquadra de Vosa-Alteza se não agora despoes de ser tornada a esta Daya onde ao presente fiquo nem ouve navyo per donde pudese mais escrever o deíxey de fazer ate gora que por esta direy ho que mais socedeo e responderey ao que por Vosa A. nas suas cartas me he .

Despois de ter escrito a vosa A. de São Vycente como dito tenho por ho ouvidor jerall e provedor mor terem já acabado seus carregos me parti a elles loguo ho agosto que veo já mais de meado e por aver tamtas novas de franceses que não ouzava nenhum navyo sair fora me. detriminei Ir busquallos em duas caravellas e hum bargantim que de Ha vyerão pera eu qua amdar, que a irem bem consertados e como elles requeriam nom hia tão mall que com a muita rezão que Ilevava me nom atrevesse e Deus ajudara a fazer allgua cousa de seu serviço, mas da maneira que emtão hya paresia mais desatino que outra pois em toda ha armada nom avia mais que três bombardeiros em cada caravela e dous no bargantim e estes apremdizes que nom sabyam nada nem nunqua emtrarão no mar e marinheiros tão poucos que esquaçamente avia quem pudesem mariar as vellas e com não mais gente darmas que os criados dos oficiaes de Vosa A. que comigo hyão e meus e no bargantim so dez ou doze pesoas per todos sem aver quem no pudese remar, e desta muita doente e imda que ho governador na Baya ma quisera dar nom na tinha porque elle ficava so amtre degradados sem ter ninguém comsigo senão os da sua casa e com esta pouqua gente que levava hya tão empachada de fato delles que me nom podia revollver nem ir lhe ha mão por serem três pesoas e que tão encomendadas me forão pello governador, mas hapomto de me achar em nome darmada de Vosa A. e em terras suas onde se não ouzava sair com franceses me fes ir asym busqualos pera dar aos moradores das terras allgum animo e o gemtio da terra nos nom ter em pouquo.

Asy me fui ao Rio de Janeiro que he honde mais carregarão e emtrei de noute por temer algum navio de supito amanheceo me dentro no Rio sem aver nenhuma nao como todo soube dos Ymdios como na Baya do Cabo Frio estava húa nao grande carregada, detriminei me lloguo ir busqualla say lloguo o mesmo dia fora em busqa da nao que poderia aver onde estava vynte llegoas nam sey porque mas llogo na primeira noute se perdeo de mim ha milhor caravella que Ilevava e da milhor gente que era onde hya Christovam Cabrall [Cristóvão Cabral] hum capitão que de Ia mandou e por ir nella provedor mor com todos seus oficiaes que erão criados de V. A. e gemte limpa a mylhor que narmada hya asemtei muito e em tall tempo ora fose por ma vegia ora pello mar ter em sy eses acontesimentos, trabalhei o posyvell pellos achar nom pude nem vyerão a mim e asy so com hua caravela e ho bergantim me fui em busqua da nao em me parecer se a poderia Ha achar, corry toda a Baya Fremosa que he a do Cabo Frio e ate a do Sallvador sem aver nada mas ja no cabo delia ouve vysta de hum gualleão framces muito gramde pasamte de duzentos toneis o quoall estava surto amtre hua ilhota e a terra firme em sima de muitos baixos ha roda delle, pello ver Uonge bem três llegoas de mym e a ballravento tyve muito trabalho de chegar a elle e pus hum dia todo e húa noute em chegar a elle e o outro dia todo desde pella manhã ate quasi noute amdei aos bordos pellejando com ho galleão por nom poder doutra maneira e me ,ser o veemto por metade da proa trabalhamdo sempre por me pôr amtre elle e a terra sem nunqua ho poder fazer pellas muitas baixas que de roda de sy tinha domde em húa dellas me ouvera de perder sem em todo este tempo ter nenhua ajuda do bargantim nem poder aviar a proa ha nao pera lhe dar hum tiro nem fazer nenhum bordo por ser a pior cousa de bollina que ate agora sayo destes Reinos e não ter hum so ornem pera o remar nem o tempo ser pera iso por ser mui » mas tanto me estrovava porque descaya tanto que me vya forçado arribar a elle e dar lhe cabo por minha popa, de maneira que com isto e o vemto ser tanto comtra nós nom pude fazer nada nem chegar a este galleão e descaimos tanto que a mall de meu grado nos fes o vemto arribar e pellejar por elles.

Comtar a Vosa A. o que neste tempo qua pellegei porem he vergonha dizello he muito mor afromta a qem no vlo e pesou porque era todo hum dia em mais de quinze bordos que fis amdamdo ha falia com os franceses nunqua houve hum ornem que em mais de slmquoenta tiros de fogo pudese meter hum pellouro dentro semdo ho galleão hua torre nem somente apontar hum tiro e dizião e juravão que por força os fizerão vir ao Brasyl e que em sua vida entrarão no mar nem uzarão de bombardeiros com outras tantas cousas que he vergonha dizellas, comtado por mim isto a Tome de Sousa me dyse que imda agora de novo lhe mandavão de Ha dizer que se quisese bombardeiros que os fizese qua na terra que de Ha nom fizesse conta delles, diguo, Senhor, que se isto asy a de ser que bem seguros podem os framceses vir a esta terra como vem por que navios tão pequenos como estes que não são nem podem abalrroar os gramdes ja que a sua gerra a de ser de llonge e por manha ão mister bombardeiros tão bons em seus ofisios que não eram os que tiraram pera que com ou lhos derribar os mastros ou os desaparelhar os vam desbaratando e tomem e doutra maneira sem amdar qua navio grande em companhia destes pequenos he esqusado armada e eu tenho bem llarguo escrito isto a Vosa A. por tanto tenho por escusado falar já tanto niso, elle fará o que mais seu serviço for.

Fui ter ao Espirito Santo [Espírito Santo] terra de Vasco Fernandez Coutinho [] onde achei a caravella que se de mim apartou prendi ao capitão della e ao seu pilloto com fazer hum auto do que pasara estive aqui synquo ou seis dias por a terra estar quasi perdida com descordias e desvarios dos omens por nom estar Vasco Fernandez nella e ser ido nom sei se lla se omde, sayo ho ouvidor fora comsertou tudo, parti me ja mui tarde em setembro e quis, Noso Senhor que dobrei os baixos d Abrolhos e vym ter aos Iiheos onde ho ouvidor ficou fazendo correição por não ter imda dantes acabada e eu me vym a esta Baya, onde achei Tome de Sousa já desconfiado darmada vir por ser já tarde e chegei em outubro, aqui lhe dei conta de tudo ho que pasava e me acontecera dês que por seu mandado desta cidade parti conformando me sempre com meu regimento que per ele me foy dado. Sabida a verdade do que pasava tirou a caravela ao capitão Christovão Cabral e a seu pilloto e o mais ao prezente tem aqui no que soferece por as caravelas nom terem amarras .nem enxarcia nem cousa com que posão navegar se nom forem socorridas porque as amarras que lhe qua podemos da terra fazer nom são boas pera navios tamanhos se não pera estarem em porto. Isto he ho que ao prezente pasa ate ser tornado a esta Baya. Noso Senhor Jhesu Christo acrecente os dias de vyda a Vosa A. com os da Raynha e primcepe nosos Senhores e o emtretenha sempre em seu reall estado pera seu santo serviço amen. Desta sua cidade do Sallvador da Baya dos Santos oje xxbiüj dabrill de 1551.

— Pedro de Goees.

— Sobrescrito: Pera ell Rey nosso Senhor. De do brasill, primeira via.

 
 
DIAS, C. M., VASCONCELLOS, E. J. D. C., & GAMEIRO, A. R. História da Colonização Portuguesa do Brasil - Edição Monumental Comemorativa do Primeiro Centenário da Independência do Brasil. Vol. III. Porto: Litografia Nacional, 1922, p.322-323.
Acervo Biblioteca Nacional
Com linguagem atualizada, assim como disponibilizado em: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/brasil-colonia-documentos-2-regimento-de-tome-de-sousa-1548.htm
 
 
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